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"O verão. Dizem que é a estação da perdição. Porque é no verão que você faz tudo aquilo que vai contar para os seus netos, bisnetos e tataranetos um dia. Dormir de cueca, dormir de calcinha, é só no verão ! Viajar pra praia, pra cachoeira, pro balneário. É só no verão... É no verão que o amor florece, o amor à preguiça, o amor ao sol ou até mesmo o amor a um cafajeste. Ou a uma duzia de cafajestes, porque não ? É no verão que você se apaixona, se desapaixona, briga, desbriga, se queima, se enche de areia e de micose. É no verão que você faz regimes de faquir, come coisas (e pessoas) estranhas, bebe coisas mais estranhas ainda, e, estranhamente, vomita coisas que você não bebeu e nem comeu. É no verão, rapaz, que você se depila, mostra a marca da sunga e da academia. É nesta época do ano que você dorme cedo, acorda tarde, dorme tarde, acorda cedo, não dorme, não acorda, trepa de mais, se proteje de menos. É no verão que a lei da física perde a vigência, e os corpos se atraem na razão diretamente proporcional ao tesão acumulado durante o inverno, e, não raro, ocupam o mesmo lugar no espaço, ao mesmo tempo. É no verão, que você bebe, bebe e bebe. E depois bebe mais um pouco. É exatamente no verão, e só no verão, que você se lembra que veio no mundo a passeio, e mais nada. Você se joga, se afoga, se perde da turma, perde o caminho de casa, perde o fígado, a virgindade, o dinheiro, a saúde, a moral e a vergonha. E acorda com a marca do óculos de sol na cara. Seja otimista rapaz, é verão. Vai contar o quê para os netos ? Que ficou jogando dominó ? Não ! Vai contar que pulou da pedra, comeu churrasco, deu cambalhotas, pegou sapinho, essas coisas que a gente só faz no verão. Ah, o verão... E você, vai contar o quê ?"

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